Maria da Penha: entre a revolução cultural e a resistência patriarcal

Maria da Penha: entre a revolução cultural e a resistência patriarcalespecial_1

Reação machista é mais violenta frente à emancipação e autonomia da mulher

A Lei Maria da Penha completa sete anos no dia 7 de agosto comemorando muitos avanços, mas em meio ao crescimento da violência contra a mulher tanto no Brasil como no mundo. A Organização Mundial da Saúde apresentou estudo recente mostrando que 35% da população feminina já sofreu violência em algum momento da vida. A violência contra a mulher é um problema de saúde mundial, equivalente a uma epidemia, alerta a OMS. Uma em cada três mulheres sofreu violência física ou sexual.

No RS, só até junho, foram 55 femicídios, 121 tentativas de assassinato, 21.598 ameaças, 13 mil agressões e 559 estupros notificados, informa a Secretaria de Segurança Pública que desenvolve um conjunto de ações para reduzir esses índices, como as Patrulhas Maria da Penha.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência Doméstica e Familiar do Congresso Nacional finalizou relatório de mil páginas neste mês, com dezenas de recomendações aos parlamentos, governos e poder judiciário de ações e políticas para a redução da violência contra a mulher. A CPMI realizou um amplo diagnóstico nos principais estados e capitais brasileiras e recomendou mudanças pontuais na Lei Maria da Penha, a tipificação do femicídio e alterações na Lei dos crimes de tortura.

O Brasil ocupa a 7ª posição no ranking mundial neste tipo de violência; o RS ocupa a 19ª posição na federação, com uma taxa de 4,1 homicídios femininos por 100 mil mulheres. Entre os três municípios gaúchos incluídos entre os 100 mais violentos do país estão Taquara (18º no ranking nacional, com 14,4 feminicídios por 100 mil); Guaíba (97º lugar, com taxa de 8,2 por 100 mil) e Lajeado (98º lugar, com taxa de 8,2 por 100 mil).

Três Projetos de Lei (PLs 179, 180 e 181/2012) de autoria da deputado Anna Afonso (PT) tramitam no parlamento gaúcho atendendo às necessidades apontados pelo relatório.

Denúncia, punição e proteção

A OMS considera que uma mulher começa a sair do ciclo de violência quando relata para alguém de fora das suas relações pessoais. É neste momento da denúncia que ela passa a viver o maior risco. A denúncia pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Mas, se não houver uma rede de atendimento pronta para atender logo após a notificaçela pode correr um risco ainda maior, alertam as pesquisadoras da ong  Coletivo Feminino Plural.

“Em geral ela comunica ao agressor que denunciou e aí começa a sofrer o risco de morte. Se esta polícia não tomar medida imediata e o Judiciário não responde a altura você coloca a mulher no maior risco da vida dela porque o cara vai ficar com muito ódio dela e mata”, alerta a dirigente do Coletivo, Télia Negrão.

O governo gaúcho criou a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) em 2011, e vem implementando um conjunto de serviços em diferentes secretarias para o atendimento a estes casos, a chamada Rede Lilás.  composta por delegacias, Casas-abrigo, Defensoria Pública, Ministério Público, Juizados, Postos de Saúde, Centros de Perícia, Centros de educação, reabilitação e responsabilização dos agressores, organismos de políticas para as mulheres, núcleos de enfrentamento ao tráfico de pessoas, entre outros.

O desafio é institucionalizar esta rede para garantir  a denúncia, punição e proteção. Essa institucionalização estabelecerá fluxos de atendimento, para saber o que fazer e para onde encaminhar, observa a secretária da SPM, Ariane Leitão.

Nos primeiros seis meses de 2013, comparado ao mesmo período do ano anterior, as denúncias aumentaram 50%, no Centro de Referência de atendimento a mulher. Isso demonstra a confiança das mulheres em sentirem-se protegidas. Cada município deve ter seus meios de acolhimento.

Mas há muito o que avançar na rede de atendimento: o estado tem um único Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher que acumula mais de 20 mil processos para serem julgados e outros 22 mil tramitam nas delegacias da mulher.

Isso tem motivado pressão sobre o presidente do Tribunal de Justiça, Marcelo Bandeira Pereira, que alega não ter recursos para isto. “Os órgão públicos não podem alegar falta de dinheiro.  Por mais solidariedade que tenhamos com as políticas em andamento, somos firmes na cobrança, porque se trata de proteger a vida das mulheres”, protesta Negrão, dizendo que trata-se de priorizar investimentos.

Autonomia x violência

“É contraditório verificar a existência de políticas públicas e o aumento nos crimes fatais. Nunca na história da humanidade as mulheres estiveram tão  públicas exercendo sua autonomia sexual, reprodutiva, econômica e no trabalho. Só que paralelo a isso não temos o mesmo nível de consciência dos homens sobre o direito das mulheres de exercer”, analisa a coordenadora da ong Coletivo Feminino Plural do RS, Télia Negrão. É justamente o aumento da autonomia feminina que desencadeia mais violência nos homens, além das notificações serem mais precisas.

Segundo análise da entidade, há um descompasso entre o novo lugar das mulheres na sociedade, entrando em choque com  a persistência de padrões culturais muito rígidos e estereótipos de gênero. “Embora as mulheres exerçam práticas autônomas na vida pública e muitas na vida privada, como optar pela separação, uso do próprio dinheiro, recusa de relação sexual indesejada os homens não aceitam. Frente a isso, agridem e matam”, sustenta a dirigente da entidade.

“Os homens mais arraigados ao machismo não conseguem entender este fenômeno social . A correlação de forças está mudando com o aumento da participação da mulher e está havendo uma reação violenta”, concorda a secretária de Política para as Mulheres, Ariane Leitão. “O  avanço feminista está fazendo com que o conservadorismo da sociedade machista se sinta ameaçado frente a estas conquistas do empoderamento feminino. Mas a reação violenta ao processo emancipatório das mulheres não nos intimidará”, conclui a dirigente.

“Aquele homem antigo está perdendo o papel que tinha, e está com medo desta nova mulher. É um mal estar da civilização que precisa ser tratado”, diz o psicólogo coordenador do Serviço de Educação e Responsabilização para Homens Autores de Violência Doméstica contra a Mulher (SERH), sediado em Nova Iguaçu (RJ), Fernando Acosta. Estimativa da ONU aponta que  só em 2490 as mulheres ocuparão posição de igualdade com os homens. “Encontramos a violência em todas as classes sociais, etnias, todas as culturas e todos os países. Não muda uma cultura de mais de cinco mil anos em 100”, conclui Acosta.

 

Uma Lei que “pegou”

“Essa lei tá na boca do povo: 90% dos brasileiros conhece a Lei Maria da Penha”, diz a delegada coordenadora  das Delegacias da Mulher do RS, Nadine Anflor. Para ela, a lei equivale a uma revolução cultural.

Criada em 2006, a lei federal 11.340 teve o intuito de encorajar as mulheres a denunciar a violência no ambiente doméstico, onde, muitas vezes, nem polícia nem Justiça entravam. A Lei promoveu uma transformação na mentalidade como a sociedade enxerga o problema  e  tornou mais rigorosas as punições contra quem agride mulheres  e não há dúvidas que se trata de um crime, e não de uma questão doméstica.

Antes da Lei, cometer violência contra a mulher era considerado “crime de menor potencial ofensivo”, semelhante a roubar frutas. “Não se falava em femicídio, em crime passional – que de paixão não tem nada, é só posse, como se a mulher fosse propriedade do homem”, diz a delegada.

A farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome a lei,  paraplégica em consequência de duas tentativas de homicídio praticadas contra ela por seu marido, orienta que a mulher deve denunciar no momento que ela se sente fragilizada num relacionamento  e começa a ser xingada, proibida de estudar, trabalhar, visitar parentes. “Tá na hora de tomar uma atitude porque daí pra frente é pior”, alerta.

Sequelas da violência

As formas mais comuns de assassinato de mulheres no RS por ordem são arma de fogo, armas brancas (facas e similares), estrangulamento e pauladas. Não só as mortes tem aumentado mas também a crueldade da violência, com crimes sexuais graves, cárcere privado, assassinatos de mulheres seguido pelo suicídio do assassino. Como verificado com Rosemeri da Silva Anori, 51 anos, em Sapucaia do Sul em 6 de junho, estrangulada pelo companheiro após mantê-la 20 horas em cárcere privado sob ameaça de uma faca de cozinha. Ele se enforcou no mesmo local. Ela tinha uma medida protetiva contra ele que havia tentado invadir a residência várias vezes.

Em 30% dos casos analisados pela OMS, a violência partiu do parceiro íntimo. O pior é que essas marcas sobrevivem: 42% das mulheres que sofreram violência doméstica apresentam sequelas físicas ou mentais.  Além de lesões físicas e mortes, as vítimas sobreviventes de agressões apresentam depressão, dependência alcoólica; contração de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez não desejada, problemas na gestação e aborto, e outros transtornos mentais. Nas mulheres violentadas pelos parceiros, as probabilidades de depressão ou do aborto são duas vezes maiores às que não passaram pelo trauma. É para isto que a OMS chama a atenção do mundo e emitiu um guia de como os países podem agir em suas redes de saúde.

No Brasil 430 mulheres foram mantidas em cárcere privado em 2012. A cada 15 segundos uma brasileira sofre com violência doméstica; 89% dos agressores são parceiros ou ex-parceiros íntimos.

“O Estado deve decretar tolerância zero e mostrar que conta com uma frente de combate disposta a lutar pelas mulheres. O agressor deve ser punido, pois a impunidade o leva a crer que pode intimidar e vitimizar mulheres. Assim vamos desconstituindo o machismo e o patriarcado ainda dominantes na sociedade”, conclui a titular da SPM.

Divulgar femicídios estimula outros homens a matar?

No início de junho houve uma sucessão de femicídios no estado, resultando em 12 mortes nos primeiros dias do mês divulgados pela imprensa. Divulgar estimula outros a também praticar este tipo de crime? É uma pergunta que surge nestes momentos.

A delegada Nadine Anflor reconhece que as estatísticas devem ser divulgadas para alertar que a violência ocorre, mas entende que a descrição do assassinato estimula a fazer o mesmo.

A ong Coletivo Feminino Plural analisou jornais da capital para verificar se a noticia multiplicava a violência.   “Antes e depois da grande divulgação o padrão do crime é o mesmo. Não é porque divulga que tem mais violência. O que pode se questionar  se estimula a reprodução do mesmo padrão criminológico”, pondera Télia Negrão.

A psiquiatra  Ana Maria Zuwick cogita que a divulgação de crimes contra as mulheres pode seguir o padrão de suicídios, que quando divulgados desencadeiam um contágio possível de provocar outros atos do gênero. “Esta violência ficou por muito tempo escondida e a mulher silenciada. Em nome do patriarcalismo, o homem detinha o poder de vida e morte sobre a mulher. Isto tem mudado, mas há muito o que fazer. A mídia divulgar tais violências é muito positivo por desvelar o que andava oculto. É uma forma de propagar que não é certo, que é um crime”.

“Nós apoiamos a veiculação, mas apoiamos que veículos de comunicação tem papel social de não só divulgar crimes, mas trabalhar elementos que promovam o novo papel da mulher na sociedade”,  ressalta Télia Negrão que atuou mais de 25 anos como jornalista. “A gente tem que questionar o papel social e a responsabilidade dos meios, ao lado da escola, educação, cultura, arte de todas as formas como a sociedade se expressa e se organiza”, finaliza.

Conteúdo publicado em parte no jornal Extra Classe – agosto 2013

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Mortes anunciadas
Em 82,5% dos assassinatos de mulheres, a ameaça e a lesão corporal prévias estão presentes. Até setembro, 77 mulheres foram mortas no RS, superando todo o ano de 2011, que chegou a 46. (Leia mais) 

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Jornalistas unem-se para combater desinformação sobre Cuba

Stela Pastore

Cuba precisa vencer um obstáculo informativo: mostrar a realidade para o mundo sem STELA PRIMEIRA FOTO1 (4)distorções. “Temos que derrotar o muro do silêncio que se estabelece sobre o país. Queremos a verdade e tudo faremos para denunciar as agressões do império e das políticas neoliberais sobre todos os povos”, destacou a coordenadora do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (ICAP), Kenia Serrano. A dirigente reforçou que na guerra de informação a rede web 2.0 – mais interativa – possibilita que cada um seja um veículo de informação. As declarações foram feitas na abertura da I Brigada Mundial contra o Terrorismo Midiático, realizada de 16 a 26 de novembro, em Caimito, a 45 km de Havana, reunindo mais de 60 comunicadores de 19 países. Vários jornalistas gaúchos integraram a atividade, entre eles o presidente e vice do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Nunes e Milton Simas.
Combater  as mentiras e manipulações nos meios de comunicação internacionais foi o objetivo do encontro que encerrou na véspera da publicação de dados no Wikileaks, por Julian Assange, que vem transtornando o conceito de informação e segurança no mundo.
Uma das primeiras ações da Brigada foi publicizar uma ampla lista de sites cubanos (veja os endereços no site do sindicato).  “A internet foi feita para Cuba”, disse Fidel Castro ainda 1989. A frase ilustra um quadro no Palácio da Computação, em Havana, onde os jornalistas foram convidados a conhecer o programa de inclusão digital do país. Esta ilha comprida e estreita de 110 992 km2  é bordada de cabos de fibra ótica em todo o solo dos 169 municípios de suas 14 províncias. Há centros de formação – http://www.jovenclub.cu – tanto nas áreas urbanas como rurais, incentivando a familiarização com a informática. O estímulo ao setor garante que país tenha a exportação de sofwares como segundo item na balança comercial.

EUA impede cubanos de acessar internet
A internet talvez seja a principal arma deste combate midiático. Uma guerra feita de batalhas diárias, sistemática, usando a manipulação, a distorção, a desinformação e o preconceito para atacar a experiência socialista dentro e fora do país. Porém, o bloqueio americano limita o acesso a rede na ilha. Não há qualquer censura ao acesso a sites por parte do governo. O que há é banda estreita, o que determina prioridades de acesso aos setores sociais, de educação, de pesquisa e governamentais.
Grandes esforços estão sendo feitos para garantir banda larga à população. Atualmente a conexão é via satélite por meio de dois provedores, meio mais lento e caro. Mesmo que  os cabos de fibra ótica estejam a 5 km da costa, os cubanos estão impedidos pelos EUA de fazer uso. Para ampliar o acesso, um cabo de fibra ótica está sendo instalado desde a Venezuela e deve entrar em operação até junho de 2011.

Bloqueio econômico é mantido apesar da ONU
O bloqueio econômico, vigente desde 1962, já causou um  prejuízo estimado em US$ 751 bilhões ao pequeno país de 11 milhões de habitantes. A Assembleia-Geral da ONU condenou, em outubro o embargo comercial americano. Foi a 19ª  que isso ocorreu  sem qualquer avanço. A resolução teve apoio de 187 dos 192 países membros. Antes da revolução de 1959, 70% das importações vinham dos EUA, país destino de 67% dos produtos cubanos.
O embargo proíbe que  empresas americanas tenham relações comerciais com Cuba, ou se associem a outras, de outros países, que mantenham comércio com Cuba. Um estudo recente divulga os danos do bloqueio (www.cubavsbloqueo.cu). “Estas sanções são as mais prolongadas da história e privam o povo cubano de desenvolver-se como poderia. Castiga-se também os que comerciam conosco”, registra a subdiretora para a América do Norte do Ministério das Relações Exteriores,  Johana Tablada.
Os EUA buscam historicamente anexar a ilha ao seu território e transformá-la na sua colônia de férias, a exemplo de Porto Rico. Os cubanos têm muito orgulho de sua resistência mantida há 50 anos, mesmo sofrendo os abalos climáticos e uma guerra econômica que penaliza toda a população. “Chamam Fidel Castro de ditador, mas são os Estados Unidos que proíbem que seu povo visite Cuba”, exemplifica o jornalista Milton Simas. Esta guerra para dominar a ilha já matou mais de 3.500 cubanos, e incapacitou outros dois mil. Fidel Castro sofreu mais de 600 atentados neste período.

Denúncia de cerco rádio-eletrônico americano  a ilha
A tentativa de minar a resistência cubana também é feita diariamente por um circuito rádio-eletrônico. As transmissões de rádios e tevê chegam facilmente a ilha, distante apenas 180 Km de Miami.  Tubal Paez, presidente da União dos Periodistas Cubanos, denuncia a ofensiva dos vizinhos do norte: “são geradas 1900 horas semanais de programação para semear o descontentamento, dúvida, desânimo e desconfiança  para instigar mudanças internas”.
Tubal destaca que o ataque midiático ocorre  tanto pelo fator psicológico como pelos limites materiais. “Nos bombardeiam com uma política de entretenimento consumista abusiva. Este esforço dos comunicadores de nos conhecer e defender é muito útil”, registrou. Para ele, a revolução é fruto da resistência dos cubanos  em construir o socialismo e a solidariedade internacional. “Cuba não teria sobrevivido sem isso. Não vivemos num mar de rosas, mas saber que se preocupam conosco nos alenta”, conclui  Paez.
Jornalistas desmascaram farsa da blogueira Yoani
Um diversificado grupo de jornalistas blogueiros cubanos (veja links abaixo) participou das atividades e lamenta que as inverdades divulgadas por Yoani Sánchez tenham ganho notoriedade, num despropósito diante do que se passa. Em seu blog, traduzido para 18 idiomas, ela fala mal de Cuba e das condições de vida. Mesmo podendo viver na Suíça, voltou a morar na ilha. Tem recebido prêmios e distinções de meios conservadores e inventou uma agressão da polícia nacional, conhecida por ser a mais pacifica do mundo.
Norelys Morales Aguilera é jornalista e blogueira, criadora de uma rede internacional de comunicadores latino-americanos e confirma que Yoani é uma empregada da ciberdissidência: “é uma espécie de contratada virtual. Está no lugar dos fatos, fala de repressão, dá entrevistas à direita e à esquerda, posta qualquer conteúdo sem ser incomodada e queixasse de censura. Muito típico da ‘refinada repressão’ da qual se diz vítima, a pobre”, ironiza Norelys. Numa de suas postagens, intitulada de “Si los blogs son terapêuticos, quién paga la terapia de Yoani Sánchéz?”, Norelys lista evidências do financiamento internacional  desta falsa perseguida em seu país.

Uma luta de todos
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, José Nunes, expressou a posição da delegação gaúcha aos mais de 300 delegados de 56 países reunidos no 6º Colóquio pela Libertação de Cinco cubanos detidos ilegalmente há 12 anos nos Estados Unidos por combaterem o terrorismo contra Cuba. O Colóquio, realizado em Holguín, terceira maior cidade de Cuba, integrou a programação da Brigada. Fernando Gonzalez, Ramon Labañino, Antônio Guerrero, Gerardo Hernandez e René Gonzalez estão detidos desde 1998 por terem evitado atos de grupos terroristas norte-americanos contra a ilha.
O sindicalista alerta sobre a necessária ação dos profissionais de comunicação. “A profissão de jornalista é uma função social para mostrar a verdade. Viemos ver de perto os estragos que o imperialismo causa aos povos e,  de forma mais escancarada e raivosa, ao povo cubano. O imperialismo não hesita em valer-se da grande mídia, dos recursos de marketing e demais tecnologias para intervir na sociedade e disseminar sua visão equivocada do mundo, impondo valores que interessam as classes dominantes e a Washington. É o capitalismo se contrapondo aos princípios humanistas do socialismo”, registrou.
O professor de jornalismo da Universidade de Havana, Santiago Feliu, fala da importância dos meios digitais neste embate, porém sem descuidar dos demais, como o rádio, ainda o meio mais popular e acessível. Em Cuba, há 55 emissoras, seis canais de tevê, centenas de sites e blogues.  Cerca de 3500 jornalistas atuam nos diferentes meios. Também estão no país dezenas de correspondentes internacionais de 25 agências de notícias.
“Esta luta pela informação democrática é de todos. Devemos estar juntos em todos os lugares e promover o  esclarecimento. A luta informativa e as mobilizações são fundamentais para garantir a soberania dos povos”, conclamou o radialista peruano, Carlos Vasquez, da rádio Cielo, em Lima.

A ciberguerra começou
Che Guevara e o exército rebelde sabiam do valor de ganhar a guerra da informação e criaram a Rádio Rebelde em 1958, denunciando os crimes da ditadura, os combates na Sierra Maestra e as ações necessárias para libertar a ilha. Esta  luta continua no campo informativo. Após a prisão de  Julian Assange, do Wikileaks, o sociólogo Manuel Castells, acadêmico mais citado na área da comunicação, escreveu que a ciberguerra já começou. Ainda em 1988, quando a rede web engatinhava, afirmou: o poder tem medo da Internet.

Mudanças na economia mobilizam país
A atualização do modelo econômico cubano é a principal pauta. Todas as propostas de mudança estão colocadas para debate em um texto de 32 páginas ou em meio digital e serão definidas no 6º congresso do Partido Comunista de Cuba em  abril.  Serão medidas duras, mas necessárias. Estão sendo debatidas com a população com o objetivo de reduzir o paternalismo estatal  e garantir maior equilíbrio econômico. “A revolução é mudança permanente”, orienta o presidente Raul Castro.
Estima-se que 20% dos servidores públicos, de um total de 5,6 milhões de trabalhadores economicamente ativos, estejam em funções obsoletas e serão realocados para outras atividades estatais ou estimulados a atuar  em 178 serviços autorizados para o trabalho privado em forma de cooperativas. Também estuda-se eliminar a cartela de abastecimento – “libreta” – sistema de alimentação subsidiado.
“Não podemos seguir adiante sem estas transformações. Precisamos produzir mais comida e mais bens”,  reconhece o líder da Central de Trabalhadores de Cuba, Raymundo Fernandez.  E esclarece: ”É uma atualização do socialismo e não uma migração ao capitalismo, como tenta-se fazer acreditar.”

O bloqueio econômico, os impactos climáticos e a crise do capitalismo mundial são  fatores que estimulam as mudanças. Na última década, 16 furacões devastaram a ilha, com grandes prejuízos. A crise mundial reflete-se na redução do preço pago ao níquel, produto número um na balança comercial de exportação de Cuba, que reduziu de 54 mil dólares para 8 mil dólares a tonelada no mercado internacional.
Por outro lado, a expectativa de vida aumentou: passou de 51, em 1955, para 78 anos, o que também obrigou a ampliar a idade de aposentadoria de 60 para 65 anos, já em vigor. Em 1989, havia sete cubanos ativos para um aposentado. Atualmente, este número reduziu para  a metade.
Para muitos cubanos, as medidas são a regularização de algo que hoje está na clandestinidade. E há muito tranqüilidade em áreas fundamentais que dão ao país os melhores dados no Índice de Desenvolvimento Humano. Antes da Revolução, a taxa de analfabetismo era de 18% e atualmente é zero;  o número de professores subiu de nove mil para 137 mil. O total de médicos aumentou de 6.280 para 72 mil. A mortalidade infantil, que era de 60 a cada mil nascidos vivos, reduziu para 5,3, uma das menores do mundo. Não está prevista qualquer mudança nos sistemas de  saúde e educação, que continuam integralmente gratuitos, de qualidade e referência global. Por enquanto, o que diferencia Cuba do resto do mundo está resguardado.

Sobre Yoani:
http://islamiacu.blogspot.com/2010/04/yoani-sanchez-cuba-manipulacion.html

Alguns blogues cubanos
http://www.haciendolascosasmal.blogspot.com
http://www.islamiacu.blogspot.com
http://www.paquitoeldecuba.wordpress.com
http://www.cambiosencuba.blogspot.com
http://www.yoandry.wordpress.com
http://www.la-isla-desconocida.blogspot.com
http://www.bloguerosrevolucion.ning.com
http://www.lapolillacubana.nireblog.com
http://www.blogcip.cu

Periodicos y revistas
Granma http://www.granma.cubaweb.cu   http://www.granma.co.cu
Granma Internacional http://www.granma.cu http://www.granmai.co.cu
Juventud Rebelde http://www.juventudrebelde.cu
Trabajadores http://www.trabajadores.cubaweb.cu
Bohemia http://www.bohemia.cubasi.cu http://www.bohemia.cu
Opciones http://www.opciones.cubaweb.cu
El Caimán Barbudo http://www.caimanbarbudo.cu
Somos Jóvenes http://www.somosjovenes.cu
Juventud Técnica http://www.juventudtecnica.cu
Pionero http://www.pionero.cu
Zun Zun http://www.zunzun.cu
Alma Máter http://www.almamater.cu
Mujeres http://www.mujeres.co.cu
El Economista http://www.eleconomista.cubaweb.cu
Tricontinental http://www.tricontinental.cubaweb.cu
Cine Cubano http://www.cinecubano.cu/revista
Temas http://www.temas.cult.cu
Cubaliteraria http://www.cubaliteraria.com
Energía y Tú http://www.cubasolar.cu/biblioteca/energiaytu.html
Giga http://www.giga.islagrande.cu
El Nuevo Fénix http://www.fenix.islagrande.cu
Jitweb http://www.inder.co.cu/jit/
La Jiribilla http://www.lajiribilla.cu

Periodicos Provinciales
Guerrillero (Pinar del Río) http://www.guerrillero.co.cu
El Habanero http://www.habanero.co.cu
Tribuna de La Habana http://www.tribuna.islagrande.cu
Girón (Matanzas) http://www.giron.co.cu
5 de septiembre (Cienfuegos) http://www.5septiembre.cu
Vanguardia (Villa Clara) http://www.vanguardia.co.cu
Escambray ( Sancti Spíritus) http://www.escambray.islagrande.cu
Invasor (Ciego de Ávila) http://www.invasor.cu
Adelante (Camagüey) http://www.adelante.cu
26 (Las Tunas) http://www.periodico26.cu
Ahora (Holguín) http://www.ahora.cu
La Demajagua (Granma) http://www.lademajagua.co.cu
Sierra Maestra (Santiago de Cuba) http://www.sierramaestra.cu
Venceremos (Guantánamo) http://www.venceremos.cubaweb.cu
Victoria (Isla de la Juventud) http://www.victoria.islagrande.cu

Periodicos provinciales
Prensa Latina http://www.prensa-latina.cu http://www.plenglish.com
Agencia de Información Nacional http://www.ain.cubaweb.cu  http://www.ain.cu
AIN Camagüey http://www.adelante.cu/AIN
Génesis Multimedia http://www.prensa-latina.cu/genesisi/index.htm
Tienda virtual http://www.latincuba.com

Radioemissoras
Radio Rebelde http://www.rrebelde.cu
Radio Habana Cuba http://www.radiohc.cu
Radio Progreso http://www.radioprogreso.cu
Radio Reloj http://www.radioreloj.cu
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Radio Enciclopedia http://www.radioenciclopedia.co.cu
CMBF http://www.cmbfjazz.cu
Radio Metropolitana  (Ciudad de la Habana) http://www.metropolitana.cu
Radio Ciudad Habana http://www.habanaenlinea.cu
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Radio COCO (Ciudad de la Habana) http://www.radiococo.cu
Radio Guamá  (Pinar del Río) http://www.rguama.co.cu   http://www.rguama.cubasi.cu
Radio 26 (Matanzas) http://www.radio26.co.cu
Radio Ciudad del Mar (Cienfuegos) http://www.rcm.cu
CMHW (Villa Clara) http://www.cmhw.co.cu
Radio Sancti Spíritus http://www.radiosanctispiritus.islagrande.cu
Radio Surco (Ciego de Ávila) http://www.radiosurco.islagrande.cu
Radio Morón (Ciego de Ávila) http://www.radiomoron.cu
Radio Cadena Agramonte (Camagüey) http://www.radiocadenagramonte.cubaweb.cu
Radio Guaimaro http://www.radiocadenagramonte.cubaweb.cu
Radio Nuevitas http://www.cadenagramonte.cubaweb.cu
Radio Florida http://www.cadenagramonte.cubaweb.cu
Radio Victoria (Las Tunas) http://www.tiempo21.islagrande.cu
Radio Libertad (Puerto Padre, Las Tunas) http://www.radiolibertad.cu
Radio Angulo (Holguín) http://www.radioangulo.cu
Radio Taíno (Holguín) http://www.891fm.cu
Radio Bayamo http://www.radiobayamo.islagrande.cu
Radio Granma http://www.radiogranma.co.cu
Radio CMKC (Santiago de Cuba) http://www.cmkc.co.cu
Trinchera Antiimperialista (Guantánamo) http://www.cmksradio.islagrande.cu
Radio Caribe (Isla de la Juventud) http://www.radiocaribe.co.cu    http://www.gerona.inf.cu/sites/webradioc/index.htm
Habanaradio http://www.habanaradio.cu

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Cubavisión (TV Cubana) http://www.cubavision.cubaweb.cu   http://www.media.islagrande.com
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Telecentros provinciales
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Perla Visión (Cienfuegos) http://www.perlavision.cu   http://www.perlavision.co.cu
Centrovisión Yayabo (Sancti Spíritus) http://www.centrovision.cu
TV Avileña (Ciego de Ávila) http://www.tvavila.co.cu
Tele Camagüey http://www.tvcamaguey.co.cu
Tele Cristal (Holguín) http://www.aldia.cu
Tele Granma http://www.cnctv.islagrande.cu
Telecentro Las Tunas http://www.visiontunera.co.cu
Telecentro Isla de la Juventud http://www.islavision.co.cu
Telecentro de Villa Clara http://www.telecubanacan.co.cu

Otros sitios
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Dedicados a enfrentar la campaña mediática
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http://www.antiterroristas.cu http://www.mesaredonda.cu
http://www.elian.cu

Portales cubanos
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http://www.cubasi.cu
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Obs.: Texto parcialmente publicado no jornal Versão dos Jornalistas – dez 2010

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Raúl Castro fala dos avanços do modelo econômico socialista

O presidente cubano Raúl Castro falou  da urgente e necessária  atualização do modelo econômico na ilha. Com clareza e transparência, reconhece as necessárias mudanças para equilibrar as finanças do país. Porém, destaca que   isto nada tem a ver com direcionar-se ao capitalismo, mas retificar a experiência socialista. O discurso foi feito no dia 18 de dezembro.

Compañeras y compañeros:

Llevamos varios días reunidos debatiendo asuntos trascendentales para el futuro de la nación. En esta oportunidad, además del habitual trabajo en comisiones, los diputados han sesionado en plenaria, con el propósito de analizar los detalles de la situación económica actual, así como las propuestas del presupuesto y el plan de la economía para el año 2011.

También los diputados han dedicado largas horas a valorar a profundidad y esclarecer dudas e inquietudes acerca del Proyecto de Lineamientos de la Política Económica y Social del Partido y la Revolución.

Nuestros medios de difusión han publicado con amplitud el desarrollo de estos debates, para facilitar la información de la población.

A pesar de la incidencia en la economía nacional de los efectos de la crisis mundial, el irregular comportamiento de las lluvias durante 19 meses, desde noviembre de 2008 hasta junio del actual año, y sin excluir errores propios, puedo afirmar que el plan del 2010 ha tenido un desempeño aceptable para los tiempos que vivimos. Se alcanzará la meta de crecimiento de 2.1 por ciento del Producto Interno Bruto, más conocido por sus siglas P.I.B; se elevaron las exportaciones de mercancías y servicios, sin concluir el año ya se alcanzó la cifra prevista de visitantes extranjeros, aunque nuevamente se incumplirán los ingresos, se consolida el equilibrio financiero interno y, por vez primera en varios años, comienza a apreciarse una dinámica favorable, todavía limitada, en la productividad del trabajo en comparación con el salario medio.

Continúan disminuyendo las retenciones de transferencias al exterior, o lo que es lo mismo, las limitaciones que nos vimos obligados a imponer a finales del año 2008 en los pagos desde los bancos cubanos a los suministradores extranjeros, las cuales serán suprimidas totalmente el próximo año y, al propio tiempo, se han logrado significativos avances en la renegociación de la deuda con nuestros principales acreedores.

Nuevamente deseo agradecer la confianza y comprensión de nuestros socios comerciales y financieros, a quienes ratifico el más firme propósito de honrar puntualmente los compromisos contraídos. El Gobierno ha impartido instrucciones precisas de no asumir nuevas deudas sin la seguridad de cumplimentar su pago en los plazos pactados.

Como fue explicado por el Vicepresidente del Gobierno y Ministro de Economía y Planificación, Marino Murillo Jorge, el plan del próximo año prevé un crecimiento del P.I.B del 3.1%, que deberá alcanzarse en medio de un escenario no menos complejo y tenso.

El año 2011 es el primero de los cinco incluidos en la proyección a mediano plazo de nuestra economía, período en el que, de manera gradual y progresiva, se irán introduciendo cambios estructurales y de conceptos en el modelo económico cubano.

Durante el próximo año proseguiremos de manera decidida en la reducción de los gastos superfluos, promoviendo el ahorro de todo tipo de recursos, el cual, como hemos dicho en varias ocasiones, constituye la fuente de ingresos más rápida y segura a nuestra disposición.

Igualmente haremos, sin descuidar en lo más mínimo, sino elevando la calidad de los programas sociales en las esferas de la salud, la educación, la cultura y el deporte, en las cuales se han identificado enormes reservas de eficiencia en el uso más racional de la infraestructura existente. También incrementaremos las exportaciones de bienes y servicios, al tiempo que continuaremos concentrando las inversiones en aquellas actividades de más rápida recuperación.

En materia del plan y el presupuesto, hemos insistido en que tiene que acabarse la historia repetida de los incumplimientos y los sobregiros. El plan y el presupuesto son sagrados, repito, desde ahora el plan y el presupuesto son sagrados y se elaboran para ser cumplidos, no para conformarnos con justificaciones de cualquier tipo y hasta con imprecisiones y mentiras, intencionadas o no, cuando no se logran las metas trazadas.

A veces algunos compañeros, sin un propósito fraudulento, aportan informaciones inexactas de sus subordinados sin haberlas comprobado y caen en la mentira inconscientemente, pero esos datos falsos nos pueden conducir a decisiones erradas con mayor o menor repercusión en la nación. Quien así actúa, también miente y sea quien sea, debe ser demovido definitiva y no temporalmente del cargo que ocupa y, después del análisis de los organismos correspondientes, también separado de las filas del Partido si milita en él.

La mentira y sus nocivos efectos han acompañado a los hombres desde que aprendimos a hablar en épocas remotas, motivando la repulsa de la sociedad. Recordemos que en los diez mandamientos bíblicos, el número ocho dispone: “No darás falso testimonio ni mentirás”. Igualmente en los tres principios éticos morales fundamentales de la civilización inca se establecía: no mentir, no robar, no ser holgazán.

Hay que luchar para desterrar definitivamente la mentira y el engaño de la conducta de los cuadros, de cualquier nivel. No por gusto el compañero Fidel en su brillante definición del concepto Revolución, entre otros criterios, señaló: “No mentir jamás ni violar principios éticos”.

Tras la publicación el pasado 9 de noviembre del Proyecto de Lineamientos de la Política Económica y Social, el tren del VI Congreso del Partido está en marcha, ya que el verdadero congreso será la discusión abierta y franca con los militantes y todo el pueblo de sus enunciados, lo que en un genuino ejercicio democrático, permitirá enriquecerlos, al tiempo que, sin excluir opiniones divergentes, logremos la conformación de un consenso nacional acerca de la necesidad y urgencia de introducir cambios estratégicos en el funcionamiento de la economía, con el propósito de hacer sustentable e irreversible el Socialismo en Cuba.

No hay que temerle a las discrepancias de criterios y esta orientación, que no es nueva, no debe interpretarse como circunscrita al debate sobre los Lineamientos; las diferencias de opiniones, expresadas preferiblemente en lugar, tiempo y forma, o sea, en el lugar adecuado, en el momento oportuno y de forma correcta, siempre serán más deseables a la falsa unanimidad basada en la simulación y el oportunismo. Es por demás un derecho del que no se debe privar a nadie.

Mientras más ideas seamos capaces de provocar en el análisis de un problema, más cerca estaremos de su solución apropiada.

La Comisión de Política Económica del Partido y los 11 grupos que la conformaron, trabajaron durante largos meses en la elaboración de los citados lineamientos, que como se ha explicado, constituirán el tema central del Congreso, partiendo de la convicción de que la situación económica es la principal tarea del Partido y del Gobierno y la asignatura básica de los cuadros a todos los niveles.

Durante los últimos años habíamos insistido en que no podíamos dejarnos llevar por improvisaciones y apresuramientos en esta esfera, teniendo en cuenta la magnitud, complejidad y las interrelaciones de las decisiones a adoptar. Es por ello que pienso que hicimos bien en aplazar el Congreso del Partido, aunque hemos debido resistir, pacientemente, los reclamos honestos y también los mal intencionados dentro y fuera de Cuba para que apuráramos la adopción de múltiples medidas. Nuestros adversarios en el exterior, como era de esperar, han impugnado cada paso que dimos, primero los descalificaban como cosméticos e insuficientes, ahora tratan de confundir a la opinión pública presagiando el seguro fracaso y concentran sus campañas en la exaltación del supuesto desencanto y escepticismo con que dicen nuestro pueblo ha acogido este proyecto.

A veces da la impresión de que sus deseos más íntimos les impiden apreciar la realidad. Haciendo evidentes sus verdaderas pretensiones, nos exigen sin tapujos desmontar el régimen económico y social que conquistamos, como si esta Revolución estuviera dispuesta a someterse a la más humillante rendición o lo que es igual, regir su destino por condicionamientos degradantes.

A lo largo de 500 años, desde Hatuey hasta Fidel, es mucha la sangre derramada por nuestro pueblo para aceptar ahora el desmantelamiento de lo logrado al precio de tanto sacrificio.

A quienes abriguen esas infundadas ilusiones, vale recordarles, otra vez, lo expresado en este Parlamento el 1ro de agosto de 2009; cito: “A mí no me eligieron Presidente para restaurar el capitalismo en Cuba ni para entregar la Revolución. Fui elegido para defender, mantener y continuar perfeccionando el socialismo, no para destruirlo”, fin de la cita.

Hoy añado que las medidas que estamos aplicando y todas las modificaciones que resulte necesario introducir en la actualización del modelo económico, están dirigidas a preservar el socialismo, fortalecerlo y hacerlo verdaderamente irrevocable, como quedó incorporado en la Constitución de la República a solicitud de la inmensa mayoría de nuestra población en el año 2002.

Es preciso poner sobre la mesa toda la información y los argumentos que fundamentan cada decisión y de paso, suprimir el exceso de secretismo a que nos habituamos durante más de 50 años de cerco enemigo. Siempre un Estado tendrá que mantener en lógico secreto algunos asuntos, eso es algo que nadie discute, pero no las cuestiones que definen el curso político y económico de la nación. Es vital explicar, fundamentar y convencer al pueblo de la justeza, necesidad y urgencia de una medida, por dura que parezca.

El Partido y la Juventud Comunista, además de la Central de Trabajadores de Cuba y sus sindicatos junto al resto de las organizaciones de masas y sociales, tienen la capacidad de movilizar el apoyo y la confianza de la población mediante el debate sin ataduras a dogmas y esquemas inviables, que constituyen una barrera psicológica colosal, que es imprescindible desmontar poco a poco y lo lograremos entre todos.

Ese es precisamente el contenido fundamental que reservamos a la Conferencia Nacional del Partido a celebrarse en el año 2011, después del Congreso, en fecha que se fijará más adelante; en ella analizaremos, entre otras cuestiones, las modificaciones a los métodos y estilos de trabajo de la organización partidista, ya que, a consecuencia de las deficiencias presentadas en el desempeño de los órganos administrativos del Gobierno, el Partido a lo largo de los años se tuvo que involucrar en el ejercicio de funciones que no le corresponden, lo cual limitó y comprometió su condición de vanguardia organizada de la nación cubana y fuerza dirigente superior de la sociedad y del Estado, en consonancia con el artículo cinco de la Constitución de la República.

El Partido debe dirigir y controlar y no interferir en las actividades del Gobierno, a ningún nivel, que es a quien corresponde gobernar, cada uno con sus propias normas y procedimientos, según sus misiones en la sociedad.

Es necesario cambiar la mentalidad de los cuadros y de todos los compatriotas al encarar el nuevo escenario que comienza a delinearse. Se trata sencillamente de transformar conceptos erróneos e insostenibles acerca del Socialismo, muy enraizados en amplios sectores de la población durante años, como consecuencia del excesivo enfoque paternalista, idealista e igualitarista que instituyó la Revolución en aras de la justicia social.

Muchos cubanos confundimos el socialismo con las gratuidades y subsidios, la igualdad con el igualitarismo, no pocos identificamos la libreta de abastecimientos como un logro social que nunca debiera suprimirse.

Al respecto, estoy convencido de que varios de los problemas que hoy afrontamos tienen su origen en esta medida de distribución, que si bien estuvo animada en su momento por el sano empeño de asegurar al pueblo un abastecimiento estable de alimentos y otras mercancías en contraposición al acaparamiento inescrupuloso por algunos con fines de lucro, constituye una expresión manifiesta de igualitarismo, que beneficia lo mismo a los que trabajan y a aquellos que no lo hacen o que no la necesitan y genera prácticas de trueque y reventa en el mercado sumergido, etc., etc.

La solución a este complejo y sensible asunto no es sencilla, pues guarda estrecha relación con el fortalecimiento del papel del salario en la sociedad y ello sólo será posible, si a la par de reducir gratuidades y subsidios, elevamos la productividad del trabajo y la oferta de productos a la población.

En esta cuestión, como en la reducción de las plantillas abultadas, el Estado Socialista no dejará desamparado a ningún ciudadano y mediante el sistema de asistencia social, asegurará que las personas impedidas para trabajar reciban la protección mínima requerida. En el futuro existirán subsidios, pero no a los productos, sino a las cubanas y cubanos que por una u otra razón realmente los necesiten.

Como se conoce, desde el mes de septiembre se eliminó la distribución normada de cigarros, un artículo que recibía sólo una parte de la población y que es obvio, por sus nocivos efectos a la salud, no constituye un producto de primera necesidad.

El próximo año no podremos darnos el lujo de gastar casi 50 millones de dólares en importaciones de café para mantener la cuota que hasta el presente se distribuye a los consumidores, incluyendo a los niños recién nacidos. Se prevé, por ser una necesidad ineludible, como hacíamos hasta el año 2005, mezclarlo con chícharo, mucho más barato que el café, que nos cuesta casi tres mil dólares la tonelada, mientras que aquel tiene un precio de 390 dólares.

Si queremos seguir tomando café puro y sin racionamiento, la única solución es producirlo en Cuba, donde está probado que existen todas las condiciones para su cultivo, en cantidades suficientes que satisfagan la demanda y hasta exportarlo con la más alta calidad.

Estas decisiones, y otras que será necesario aplicar, aunque sabemos que no son populares, sí son obligadas para poder mantener y mejorar incluso los servicios gratuitos de salud pública, educación y la seguridad social a todos los ciudadanos.

El propio líder de la Revolución Cubana, el compañero Fidel, en su histórico discurso el 17 de noviembre de 2005, expresó; cito: “Una conclusión que he sacado al cabo de muchos años: entre los muchos errores que hemos cometido todos, el más importante error era creer que alguien sabía de socialismo, o que alguien sabía de cómo se construye el socialismo”, fin de la cita. Hace apenas un mes, exactamente al cabo de cinco años, Fidel a través de su mensaje en ocasión del Día Internacional del Estudiante, ratificó esos conceptos que conservan total vigencia.

Por mi parte, recuerdo los planteamientos de un laureado científico soviético que hace alrededor de medio siglo, consideraba que aunque teóricamente se había documentado la posibilidad del vuelo del hombre al espacio, no dejaba de ser un viaje a lo ignoto, a lo desconocido.

Si bien hemos contado con el legado teórico marxista leninista, donde científicamente está demostrada la factibilidad del socialismo y la experiencia práctica de los intentos de su construcción en otros países, la edificación de la nueva sociedad en el orden económico es, en mi modesta opinión, también un trayecto hacia lo ignoto, por lo cual cada paso debe meditarse profundamente y ser planificado antes del próximo, donde los errores se corrijan oportuna y rápidamente para no dejarle la solución al tiempo, que los acrecentará y al final nos pasará la factura aún más costosa.

Tenemos plena conciencia de los errores que hemos cometido y precisamente, los Lineamientos marcan el inicio del camino de la rectificación y la necesaria actualización de nuestro modelo económico socialista.

Nadie debe llamarse a engaño, los Lineamientos señalan el rumbo hacia el futuro socialista, ajustado a las condiciones de Cuba, no al pasado capitalista y neocolonial derrocado por la Revolución. La planificación y no el libre mercado será el rasgo distintivo de la economía y no se permitirá, como se recoge en el tercero de los lineamientos generales, la concentración de la propiedad. Más claro ni el agua, aunque no hay peor ciego que el que no quiere ver.

La construcción del socialismo debe realizarse en correspondencia con las peculiaridades de cada país. Es una lección histórica que hemos aprendido muy bien. No pensamos volver a copiar de nadie, bastantes problemas nos trajo hacerlo y porque además copiamos mal; aunque no ignoramos las experiencias de otros y aprendemos de ellas, incluyendo las positivas de los capitalistas.

Abundando sobre el necesario cambio de mentalidad mencionaré un ejemplo: si hemos arribado a la conclusión de que el ejercicio del trabajo por cuenta propia constituye una alternativa más de empleo para los ciudadanos en edad laboral, con el fin de elevar la oferta de bienes y servicios a la población y liberar al Estado de esas actividades para concentrarse en lo verdaderamente decisivo, lo que corresponde hacer al Partido y al Gobierno es facilitar su gestión y no generar estigmas ni prejuicios hacia ellos y para eso es fundamental modificar la apreciación negativa existente en no pocos de nosotros hacia esta forma de trabajo privado. Los clásicos del marxismo leninismo al proyectar los rasgos que debían caracterizar la construcción de la nueva sociedad, definieron, entre otros, que el Estado, en representación de todo el pueblo, mantendría la propiedad sobre los fundamentales medios de producción.

Nosotros absolutizamos ese principio y pasamos a propiedad estatal casi toda la actividad económica del país. Los pasos que hemos venido dando y daremos en la ampliación y flexibilización del trabajo por cuenta propia, son el fruto de profundas meditaciones y análisis y podemos asegurar que esta vez no habrá retroceso.

Por su parte, la Central de Trabajadores de Cuba y los respectivos sindicatos nacionales, se encuentran estudiando las formas y métodos para organizar la atención a esta fuerza laboral, promover el cumplimiento estricto de la Ley y los tributos y motivar en estos trabajadores el rechazo a las ilegalidades. Debemos defender sus intereses igual que hacemos con cualquier otro ciudadano, siempre que actúen en cumplimiento de las normas jurídicas aprobadas.

En esta dirección reviste gran importancia la introducción en los diferentes niveles de la enseñanza de los conceptos básicos del sistema tributario con el objetivo de familiarizar, de manera permanente y concreta, a las nuevas generaciones en la aplicación de los impuestos como la forma más universal de redistribución de la renta nacional, en interés del sostenimiento de los gastos sociales.

A escala de toda la sociedad, debemos fomentar los valores cívicos de respeto y cumplimiento por los contribuyentes de sus obligaciones tributarias, crear en las personas esa cultura y disciplina, bonificar a los que cumplen y sancionar la evasión de impuestos.

Otra tarea en la cual, a pesar del avance logrado, falta mucho por hacer, es la atención a las distintas formas productivas en la agricultura, de modo que se eliminen las diversas trabas existentes para potenciar las fuerzas productivas en nuestros campos y que, en correspondencia con el ahorro en la importación de alimentos, los agricultores obtengan ingresos justos y razonables por su sacrificada labor, lo cual no justifica que se impongan precios abusivos a la población.

A más de dos años de iniciada la entrega de tierras ociosas en usufructo, pienso que estamos en condiciones de valorar la asignación de áreas adicionales, por encima de los límites que regula el Decreto-Ley 259, de julio de 2008, a aquellos productores agropecuarios con resultados destacados en la utilización intensiva de los suelos bajo su responsabilidad.

Considero oportuno aclarar que las tierras entregadas en usufructo constituyen propiedad de todo el pueblo, por lo que si se requirieran para otros usos en el futuro, el Estado compensaría a los usufructuarios lo invertido y les abonaría el valor de las bienhechurías.

En su momento, una vez que concluyamos los estudios, a partir de las experiencias que hemos ido acumulando, presentaremos al Consejo de Estado las correspondientes propuestas de modificación del citado Decreto-Ley.

Una de las barreras más difíciles de sortear en el empeño de formar una visión diferente, y así debemos reconocerlo públicamente, es la ausencia de una cultura económica en la población, incluidos no pocos cuadros de dirección, los cuales, evidenciando una ignorancia supina en la materia, al enfrentar problemas cotidianos adoptan o proponen decisiones sin detenerse un instante a valorar sus efectos y los gastos que se generan, ni si existen recursos asignados en el plan y el presupuesto con ese destino.
No descubro nada cuando afirmo que improvisar, en general, y en la economía en particular, conduce a un seguro fracaso, con independencia de los buenos propósitos que se pretenda alcanzar.

El pasado 2 de diciembre, en ocasión del 54 aniversario del desembarco del Granma, el órgano oficial de nuestro Partido reprodujo un fragmento del discurso que pronunciara Fidel en 1976, en igual fecha, cuando se conmemoraban apenas 20 años del suceso y que por su vigencia y actualidad he considerado oportuno citar: “La fuerza de un pueblo y de una revolución consiste precisamente en su capacidad de comprender y enfrentar las dificultades. A pesar de todo avanzaremos en numerosos campos y lucharemos denodadamente por elevar la eficiencia de la economía, ahorrar recursos, reducir gastos no esenciales, aumentar las exportaciones y crear en cada ciudadano una conciencia económica. Antes dije que todos somos políticos, ahora añado que todos debemos ser también economistas y, repito, economistas, no economicistas, que no es lo mismo una mentalidad de ahorro y eficiencia que una mentalidad de consumo”, fin de la cita.

Diez años después, el primero de diciembre de 1986, durante la sesión diferida del III Congreso del Partido, Fidel expresó; cito: “Mucha gente no entiende que el Estado Socialista, ningún Estado, ningún sistema puede dar lo que no tiene, y mucho menos va a tener si no se produce, si se está dando dinero sin respaldo productivo. Estoy seguro de que las plantillas infladas, el exceso de dinero entregado a la gente, los inventarios ociosos, los despilfarros, tienen que ver mucho con el gran número de empresas irrentables que hay en el país…” fin de la cita

A 34 y 24 años, respectivamente, de estas orientaciones del Jefe de la Revolución, esos y muchos otros problemas siguen estando presentes.

Fidel con su genialidad iba abriendo brechas y señalaba el camino y los demás no supimos asegurar y consolidar el avance en pos de esos objetivos.

Nos faltó cohesión, organización y coordinación entre el Partido y el Gobierno; en medio de las amenazas y urgencias cotidianas descuidamos la planificación a mediano y largo plazos, no fuimos suficientemente exigentes ante violaciones y errores de carácter económico cometidos por algunos dirigentes y también demoramos en rectificar decisiones que no tuvieron el efecto esperado.

Más de una vez me he referido a que en esta Revolución casi todo está dicho y que debemos revisar qué orientaciones del Jefe de la Revolución hemos cumplido y cuáles no, desde su vibrante alegato “La Historia me Absolverá” hasta hoy. Recuperaremos las ideas de Fidel que siguen vigentes y no permitiremos que nos vuelva a pasar lo mismo.

Los errores, si simplemente son analizados con honestidad, pueden transformarse en experiencias y lecciones para superarlos y no volver a incurrir en ellos. Esa es precisamente la gran utilidad que tiene el análisis profundo de los errores y esa debe empezar a ser una norma permanente de conducta de todos los dirigentes.

La realidad de los números está por encima de todas nuestras aspiraciones y deseos. En la aritmética elemental del primer grado de la escuela primaria, se aprende a temprana edad que dos más dos da cuatro, no cinco ni seis; no hay que ser economista para comprenderlo, por tanto, si en un momento dado tenemos que hacer algo en materia económica y social por encima de los recursos disponibles, hagámoslo con conciencia de las consecuencias y sabiendo de antemano que al final la crudeza de los hechos se impondrá irremisiblemente.

Cuba dispone de decenas y decenas de miles de profesionales graduados por la Revolución en las especialidades de economía, contabilidad y finanzas, por sólo mencionar algunas de este perfil, que no hemos sabido utilizar adecuadamente en provecho del desarrollo ordenado de la nación.

Contamos con lo más preciado, el capital humano, que debemos cohesionar con el concurso de la Asociación Nacional de Economistas y Contadores (ANEC) para emprender la tarea de educar en esta materia, de manera constante y sistemática, a nuestro pueblo instruido y a sus dirigentes en todos los niveles. Una numerosa representación del Comité Nacional de la ANEC participó en los primeros seminarios sobre los lineamientos que organizamos y muchos de sus miembros están inmersos en el proceso de discusiones en marcha.

En este sentido, cabe destacar la contribución decisiva de miles y miles de contadores para recuperar el lugar que corresponde a la contabilidad en la dirección de la actividad económica, que como sabemos es una condición indispensable para asegurar el éxito y el orden en todo lo que nos proponemos.

En estas circunstancias, nadie debe perder de vista la relevancia de mantener un enfoque diferenciado hacia la juventud, y en correspondencia con ello, debo resaltar la decisión de excluir de los procesos de disponibilidad laboral a los recién graduados en el plazo del cumplimiento del Servicio Social.

Ahora bien, no se trata de ubicarlos en funciones no afines a su perfil profesional, como ha sucedido en el pasado, que han llegado a ponerlos hasta de porteros del centro laboral, porque precisamente ese período está diseñado para adiestrarlos en la base de la producción y los servicios, completar en la práctica la formación teórica de las escuelas y cultivar en ellos el amor al trabajo.

No menos importante resulta la labor que corresponde a los cuadros y especialistas involucrados en la elaboración y revisión de los documentos legales, a tono con las modificaciones que se vayan instrumentando; por ejemplo, sólo para dar cobertura jurídica a dos lineamientos (los números 158 y 159), referidos al ejercicio del trabajo por cuenta propia, su régimen tributario y los procesos de disponibilidad laboral, se ha requerido emitir casi 30 disposiciones, entre decretos-leyes, acuerdos del Gobierno y resoluciones de varios ministerios e institutos nacionales.

Hace sólo unos días una resolución del Ministerio de Finanzas que modificó los precios de acopio de un grupo de productos agropecuarios, tuvo que dejar sin efectos otras 36 resoluciones de ese propio organismo, emitidas en diferentes fechas de años anteriores, pero todas vigentes.

Estos hechos dan una idea del trabajo que en materia de ordenamiento jurídico tenemos por delante con el fin de reforzar la institucionalidad del país, y eliminar tantas prohibiciones irracionales que han perdurado por años, sin tener en cuenta las circunstancias existentes, creando el caldo de cultivo para múltiples actuaciones al margen de la ley, que frecuentemente dan lugar a la corrupción en distintos grados. Puede llegarse a una conclusión probada por la vida: las prohibiciones irracionales propician las violaciones, lo que a su vez conduce a la corrupción y la impunidad, por eso creo que la población tiene razón en sus preocupaciones respecto a los engorrosos trámites asociados a la vivienda y la compra-venta de vehículos entre las personas, por solo citar dos ejemplos, que actualmente son objeto de estudio para su solución de manera ordenada.

Al propio tiempo, se impone simplificar y agrupar la legislación vigente, por lo general bastante dispersa. Los documentos rectores se elaboran para ser del dominio de aquellos responsabilizados con su cumplimiento, no para ser engavetados. En consecuencia, es preciso educar a todos los cuadros y exigirles trabajar con las disposiciones legales que rigen sus funciones y controlar que esto se cumpla como un requisito de idoneidad para ocupar un cargo determinado.

Vale recordar, otra vez, que el desconocimiento de la ley no exime a nadie de su cumplimiento y que, según la Constitución, todos los ciudadanos tienen iguales derechos y deberes, por lo cual quien cometa un delito en Cuba, con independencia del cargo que ocupe, sea quien sea, tendrá que enfrentar las consecuencias de sus errores y el peso de la justicia.

Pasando a otro asunto, también recogido en los Lineamientos, del plan del próximo año se han excluido 68 inversiones de importancia para el país por no cumplir los requerimientos establecidos, entre ellos, la determinación del financiamiento, la preparación técnica y de proyectos, la definición de las fuerzas constructoras capaces de acometerlas en los plazos fijados y la evaluación de los estudios de factibilidad. No permitiremos el derroche de los recursos destinados a inversiones a causa de la espontaneidad, la improvisación y la superficialidad, que en no pocos casos, han caracterizado al proceso inversionista.

Al tratar estos temas es obligado referirme al papel determinante que corresponde jugar a los cuadros del Partido, el Estado, el Gobierno, las organizaciones de masas y juveniles en la conducción coordinada y armónica del proceso de actualización del modelo económico cubano.

En el curso de la paulatina descentralización que desplegamos, se han adoptado diversas medidas en favor de elevar la autoridad de los dirigentes administrativos y empresariales, a quienes continuaremos delegando facultades. En paralelo se perfeccionan los procedimientos de control y se eleva a niveles superiores la exigencia frente a las manifestaciones de negligencia, indolencia y otras conductas incompatibles con el desempeño de cargos públicos.

Igualmente, tenemos plena conciencia del daño que ha ocasionado a la política de cuadros durante años el fenómeno de la “pirámide invertida”, es decir, que los salarios no están en correspondencia con la importancia y jerarquía de los puestos de dirección ocupados, ni existe la diferenciación adecuada entre unos y otros, lo cual desestimula la promoción de los más capaces hacia responsabilidades superiores en las empresas y en los propios ministerios. Esta es una cuestión fundamental que debe ser solucionada de acuerdo con lo señalado en los lineamientos números 156 y 161, referidos a la política salarial.

El VI Congreso del Partido debe ser, por ley de la vida, el último de la mayoría de los que integramos la Generación Histórica; el tiempo que nos queda es corto y, sin el menor asomo de inmodestia o vanidad personal, pienso que estamos en la obligación de aprovechar el peso de la autoridad moral que poseemos ante el pueblo para dejar el rumbo trazado.

No nos creemos más inteligentes o capaces que nadie, ni nada por el estilo, pero sí estamos convencidos que tenemos el deber elemental de corregir los errores que hemos cometido en estas cinco décadas de construcción del Socialismo en Cuba y en ese propósito emplearemos todas las energías que nos quedan, que afortunadamente no son pocas.

Redoblaremos la constancia y la intransigencia ante lo mal hecho, los ministros del gobierno y otros dirigentes políticos y administrativos conocen que contarán con todo nuestro respaldo cuando, en el cumplimiento de sus funciones, eduquen y a su vez exijan a sus subordinados y no teman buscarse problemas. Buscarse problemas por enfrentar lo mal hecho es en estos momentos una de nuestras tareas principales.

También para todos está claro que no nos encontramos en aquellos años iniciales tras el triunfo en 1959, cuando algunos que ocuparon cargos gubernamentales renunciaban para patentizar su oposición a los primeros pasos radicales que emprendía la Revolución y por ello esa actitud se catalogaba entonces de contrarrevolucionaria. Hoy lo verdaderamente revolucionario y honesto, cuando un cuadro se sienta cansado o incapaz de ejercer su cargo a cabalidad, es solicitar su renuncia, con dignidad y sin ningún temor, lo que siempre será preferible a ser destituido.

Con relación a este asunto, debo hacer referencia a tres compañeros que ocuparon importantes responsabilidades en la dirección del Partido y el Gobierno, y que por las faltas que cometieron, el Buró Político les solicitó la renuncia a su condición de miembros de ese organismo de dirección, del Comité Central y de diputados a la Asamblea Nacional del Poder Popular.

Se trata de Jorge Luis Sierra Cruz, Yadira García Vera y Pedro Sáez Montejo. Los dos primeros fueron liberados además de las responsabilidades como ministros del Transporte y la Industria Básica, respectivamente. Sierra por tomarse atribuciones que no le correspondían y que le condujeron a serios errores en la dirección y Yadira García por un pésimo trabajo al frente del ministerio, reflejado de manera particular en el débil control sobre los recursos destinados al proceso inversionista, propiciando el derroche de estos, como se comprobó en el proyecto de expansión de la empresa niquelífera Pedro Soto Alba, en Moa, provincia de Holguín. Ambos compañeros fueron criticados severamente en sendas reuniones conjuntas de la Comisión del Buró Político y el Comité Ejecutivo del Consejo de Ministros.

Por su parte, Pedro Sáez Montejo, dando muestras de superficialidad incompatibles con el cargo de Primer Secretario del Partido en Ciudad de La Habana, infringió normas del trabajo partidista, lo cual fue discutido con él por una comisión del Buró Político, presidida por mí e integrada por los compañeros Machado Ventura y Esteban Lazo.

Es justo hacer constar que los tres reconocieron los errores señalados a cada uno y asumieron una actitud correcta, razón por la cual la Comisión del Buró Político decidió mantener su condición de militantes del Partido. Igualmente, se consideró conveniente ubicarlos a todos en trabajos afines a sus respectivas especialidades.

En el plano personal, los tres seguirán siendo mis amigos, pero yo solo tengo compromisos con el pueblo y muy especialmente con los caídos en estos 58 años de lucha ininterrumpida desde el golpe de estado de 1952. Si así hemos procedido con tres altos dirigentes, sépase que esta es la línea que seguirá el Partido y el Gobierno con todos los cuadros. Mayor exigencia, a la vez que alertaremos y adoptaremos las medidas disciplinarias pertinentes cuando se detecten transgresiones de lo establecido.

Como estipuló la Ley modificativa de la División Político Administrativa, el próximo mes de enero se constituirán las nuevas provincias Artemisa y Mayabeque, cuyos órganos de gobierno iniciarán su funcionamiento bajo nuevas concepciones organizativas y estructurales, mucho más racionales que las existentes en la actual provincia La Habana.

Se han definido las funciones, estructuras y plantillas. Se trabaja en la definición de sus atribuciones, así como en las relaciones con los organismos de la Administración Central del Estado, las empresas nacionales y las organizaciones políticas y de masas. Seguiremos muy de cerca esta experiencia para su gradual generalización al resto de los órganos locales de gobierno, o sea, de todo el país, en el transcurso de los próximos cinco años. Defendemos la utilidad de proseguir elevando paulatinamente la autoridad de los gobiernos provinciales y municipales y dotarlos de mayores facultades para el manejo de los presupuestos locales, a los cuales se destinará parte de los impuestos generados en la actividad económica con el fin de contribuir a su desarrollo.

En medio de la convulsa situación internacional avanzan las relaciones con los pueblos y gobiernos de casi todas las naciones.

El mundo ha recibido asombrado las escandalosas revelaciones de cientos de miles de documentos clasificados del gobierno de los Estados Unidos, una parte de ellos muy recientes, sobre las guerras en Irak y Afganistán y, luego, sobre los más variados temas de sus relaciones con decenas de Estados.

Aunque todos se preguntan qué estará ocurriendo verdaderamente y cómo podría relacionarse esto con los vericuetos de la política norteamericana, lo difundido hasta ahora demuestra que ese país, aunque disimule con una retórica amable, sigue en lo esencial las políticas de siempre y actúa como un gendarme global.

En las relaciones con los Estados Unidos no se aprecia la menor voluntad de rectificar la política contra Cuba, ni siquiera para eliminar sus aspectos más irracionales. Se hace evidente que en esta cuestión sigue prevaleciendo una minoría reaccionaria y poderosa que sirve de sustento a la mafia anticubana.

Estados Unidos no solo desprecia el reclamo abrumador de 187 países que demandan poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero contra nuestro país, sino que en el año 2010 endureció su aplicación e incluyó nuevamente a Cuba en sus listas espurias, mediante las cuales se arrogan el derecho de calificar y difamar a Estados soberanos para justificar acciones punitivas o incluso actos de agresión.

La política de Estados Unidos contra Cuba no tiene la menor credibilidad. No les queda más remedio que acudir a la mentira para reiterar acusaciones entre las que sobresalen, por su escandalosa falsedad, que somos un país patrocinador del terrorismo internacional, tolerante ante el tráfico interno de niños y mujeres con fines de explotación sexual, violador flagrante de los derechos humanos y responsable de restringir, de manera significativa, las libertades religiosas.

El gobierno norteamericano trata de esconder sus propios pecados y pretende evadir su responsabilidad en el hecho de que sigan impunes en ese país notorios terroristas internacionales, reclamados por la justicia de varios países, al mismo tiempo que se mantienen en injusta prisión nuestros Cinco hermanos por luchar contra el terrorismo.

En sus calumniosas campañas sobre el tema de los Derechos Humanos en Cuba, los Estados Unidos han encontrado la connivencia de países europeos conocidos por su complicidad con los vuelos secretos de la CIA, el establecimiento de centros de detención y tortura, por descargar los efectos de la crisis económica sobre los trabajadores de menores ingresos, la violenta represión contra los manifestantes y la aplicación de políticas discriminatorias hacia los inmigrantes y minorías.

Junto a las naciones hermanas de América Latina proseguiremos luchando por la integración emancipadora y en los marcos de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América, trabajaremos por afianzar la solidaridad y unidad que nos fortalecerá a todos, cada vez más.

Así continuaremos apoyando a la fraterna nación de Haití, donde nuestro personal de la salud, junto a médicos latinoamericanos y haitianos graduados en Cuba, enfrenta con abnegación y de forma desinteresada y humanitaria la epidemia de cólera, los daños del terremoto y la secuela de siglos de explotación y saqueo de ese noble pueblo, que necesita de la comunidad internacional recursos para la reconstrucción y, especialmente, para el desarrollo sostenible.

También es propicia la ocasión para desde este Parlamento enviar, en nombre de todos los cubanos, un mensaje de aliento y solidaridad al hermano pueblo de Venezuela, que sufre los embates de lluvias torrenciales con cuantiosas pérdidas de vidas humanas y daños materiales. Las decenas de miles de colaboradores cubanos que prestan servicios en ese país, recibieron tempranamente instrucciones de ponerse a disposición de los venezolanos y del Presidente Hugo Chávez para lo que sea necesario.

El próximo mes de abril se cumplirán 50 años de la proclamación del carácter Socialista de nuestra Revolución. En las arenas de Playa Girón nuestras fuerzas combatieron por primera vez en defensa del socialismo y en apenas 72 horas, bajo la conducción personal del Comandante en Jefe, derrotaron la invasión mercenaria patrocinada por el gobierno norteamericano.

En ocasión de tan relevante acontecimiento, el 16 de abril realizaremos una Revista Militar, con participación de tropas y medios de combate, a la que asistirán los delegados al VI Congreso del Partido que esa propia tarde se congregarán para el inicio de sus trabajos, que esperamos concluir el 19 de abril, Día de la Victoria de Playa Girón. El cierre de la Revista lo protagonizarán varias decenas de miles de jóvenes, representando a las nuevas generaciones, que constituyen la garantía de la continuidad de la Revolución.

Esta conmemoración estará dedicada a nuestra juventud, que nunca le ha fallado a la Revolución. Jóvenes fueron los que cayeron en el asalto a los cuarteles Moncada y de Bayamo; jóvenes fueron los que se sublevaron en Santiago de Cuba bajo la dirección de Frank País; jóvenes eran los expedicionarios del Granma, que tras la debacle de Alegría de Pío formaron el Ejército Rebelde, fortalecidos por oleadas también de jóvenes provenientes del campo y las ciudades, en primer lugar el refuerzo santiaguero organizado personalmente y enviado por el propio Frank; jóvenes eran los integrantes del poderoso movimiento clandestino; jóvenes fueron los valerosos asaltantes al Palacio Presidencial y a la emisora Radio Reloj el 13 de marzo de 1957, encabezados por José Antonio Echeverría; jóvenes fueron los que combatieron heroicamente en Girón; jóvenes y adolescentes se sumaron a la campaña de alfabetización hace también 50 años; jóvenes eran la mayoría de los combatientes en la lucha contra las bandas mercenarias que organizó la CIA; jóvenes fueron los que protagonizaron hermosas páginas de coraje y estoicismo en las misiones internacionalistas en varias naciones, particularmente en ayuda a los movimientos de liberación en África; jóvenes son nuestros Cinco Héroes que arriesgaron sus vidas luchando contra el terrorismo y sufren ya más de doce años de cruel prisión; jóvenes son muchos de los miles y miles de colaboradores cubanos que defienden la vida humana curando enfermedades erradicadas en Cuba, apoyan programas de alfabetización y difunden cultura y la práctica deportiva a niños y adultos por todo el mundo.

Esta Revolución es obra del sacrificio de la juventud cubana: obrera, campesina, estudiantil, intelectual, militar; de todos los jóvenes en todas las épocas que les ha tocado vivir y luchar.

Esta Revolución la conducirán adelante los jóvenes plenos de optimismo e inconmovible fe en la victoria.

Grandes han sido los retos y también los peligros desde el triunfo de la Revolución y muy especialmente a partir de Girón, mas ninguna dificultad ha podido doblegarnos. Estamos aquí y estaremos por la dignidad, la entereza, el valor, la firmeza ideológica y el espíritu de sacrificio y revolucionario del pueblo de Cuba, que hace mucho tiempo hizo suyo el concepto de que el socialismo es la única garantía para seguir siendo libres e independientes.

Muchas gracias.

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O ar da graça, às terças, em nenhum jornal

Só não ri que não quer!!!! O maior número de cartunistas por metro quadrado pode ser encontrado às terças-feiras à noite sobre o Viaduto Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre, patrimônio histórico da cidade.
É lá que os integrantes da Grafar – Associação dos Artistas Gráficos – encontra-se para compartilhar desenhos, charges, cartuns, tiras, publicações e todo o universo dos personagens…
Rango, Macanudo Taurino, Alemão Batata, Aline, Tapejara, Menino Maluquinho, Mineirinho Come Quieto, e tantos outros, são gente da casa. Familiares. E todas as suas idiosincrasias.
Trocadilhos! Cuidado, são como minas. Explodem em qualquer conversa!!!!
Neste discreto local, se pode encontrar com toda a simplicidade e proximidade os cartunistas mais premiados de todo o mundo. Como o Edgar Vasquez, Santiago, Bier, Moa, Uberti, Eugênio Neves – a ave que não ousa dizer o seu nome -, Hals, Lousada, Kayser, Simch, Mau-mau, Pedro Alice, Silvio S, Juska, Vecente… Eventualmente chegam visitas surpresa como o Ziraldo, o Luis Fernando Veríssimo, Canini… Vai te acostumando… Esse povo gosta da graça…
E a nova geração está em casa nesse ambiente onde ver os mestres, mostrar os trabalhos é tarefa semanal, num encontro de fraterno traço. Estão ali jovens talentos como a Rodrigo Rosa, Chiquinha, o Guilherme, Pomba…
Os que estão fora do pago, tentam vir à capital: se possível, às terças feiras, como o alemão Guazelli, Adão Iturrusgaray… Os que migraram por possibilidade de trabalho melhor remunerado e algum reconhecimento… Ou muda-se a data para a segunda-feira… se o Zira vem, o Ziraldo. Se está por aí, reserva a agenda, apaixonado por esta gente e este espaço de encantamento.
Alguns sotaques ilustram o ambiente, como o uruguaio Ruben, o argentino Bendati que faleceu em 2008, mas que bordava de graça e densidade suas aparecências na noite do Tutti Giorni, esse bar que faz uma história de fraterna resistência no árido universo da modernidade asséptica.
Ali não! O bar é forrado de personagens… temperados. Caricaturas ilustram as paredes do bar do Nani, o mais desenhado de todos. Esse gringo bonachão, mais que barman, dono, cantor sazonal, é uma ilustração à parte… Vale a pena conhecê-lo: servindo o almoço popular diário, onde estão todos, todos os personagens humanizados na ponta de cada desenho… É de vida que se faz a arte.
Se você chegar, forasteiro, e perguntar algo, como: tem vinho, coca-cola, cardápio…. “Tem! Mas tá em falta”, responderá o risonho anfitrião, que recebe a turma com a maior graça e seu valioso bolinho de batata, o melhor do Viaduto, segundo ele mesmo. A alta temperatura da cerveja e algumas ausências no cardápio apenas ilustram este ambiente lúdico, onde a arte e o riso se encontram com toda a familiaridade. A chef Aline Riga vem dar uma folga ao Nani e traz o requinte de suas inusitadas receitas, para o deleite dos amigos e as surpresas do cardápio.
Meninas: cuidado, a metralhadora giratória está ligada. Este povo gosta de beleza!!!!
É nesse ambiente que fervilham piadas, trocadilhos, perguntas de duplo sentido, entremeadas por gargalhadas e sérias análises da conjuntura da política nacional e mundial.
Saltam publicações como o Le Monde Diplomatique com ilustrações dos presentes, o último prêmio Açorianos, O Assai Chimbum, o Salão do Desenho de Imprensa, o Extra-Classe, como resistência editorial de espaço local, o último livro correndo de mão em mão em solidárias compras. Circula a fervilhante criação de cada um, ao vivo, no manuscrito caderno, que é de todos. E o escasso mercado editorial gaúcho de tão evidente, já deixou de ser pauta há muito tempo. Não é riso. Tragédia e cegueira é notícia velha neste inquieto público. No celeiro do talento, do riso, da tirada inteligente, os cartunistas do Sul seguem fazendo história com seu traço, sacando a tradução do cotidiano em desenhos. A resistência se encontra às terças. Não perca. Não está em nenhum diário local!!!! Esta é a notícia.

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O Piano da Dilma

Por Rita Santana
Os textos que circulam na internet contra Dilma são preconceituosos e colaboram apenas para a formação de uma sociedade machista e excludente. É tão preconceituoso quanto o discurso de Serra. A imagem da mulher ainda está associada a uma pessoa que tem necessariamente que ser doce, pudica e pacata. Nós, mulheres, somos sempre assim? Vocês se encaixam nos padrões de feminilidade divulgados pela mídia? Todas vocês são Cléo Pires, Luana Piovani ou Larissa Riquelme, a musa da Copa? Acho improvável! Eu estou bem longe desse padrão. Durante o primeiro debate do segundo turno, Serra continuou agredindo com ironias e sarcasmos a candidata e ela reagiu a isso, não como uma musa indefesa, mas como uma mulher com a sua história e o seu currículo poderia, e deveria, reagir: com garra, força, determinação e com fatos, dados, que nós mulheres sabemos empregar muito bem quando nos sentimos ameaçadas e insultadas. Infelizmente, os homens e muitas mulheres – o que é ainda mais triste – não suportam encontrar, no gênero feminino, pessoas combativas, como se todas tivessem que ser cândidas e suaves sempre. Um colega, que vota nela inclusive, perguntou se ela estava de TPM no debate! Recurso, aliás, bastante utilizado pelos homens para desqualificarem nossos discursos, reações, protestos, nossas palavras ríspidas e nossas insatisfações. Como se mulheres fossem destituídas de rispidez, fala, protesto e indignação. Não somos! Temos fala, senhores e senhoras!
Existem mulheres guerreiras desde sempre no Brasil, podemos citar Maria Quitéria, que até hoje é honrada pelo exército brasileiro pelo seu heroísmo durante a guerra pela Independência da Bahia e do Brasil, e que só foi ao campo de batalha porque se vestiu de homem e fugiu de casa. Após ser reconhecida pelos seus méritos de soldado, teve que pedir ao Imperador que intercedesse junto ao seu pai para que ele a aceitasse de volta. Nunca foi fácil ser uma mulher de luta, de combate. Não acredito que a moça tivesse gestos delicados e jeitinho de fragilidade que nos foram impostos por uma sociedade absolutamente machista; nem que fosse o tipo que se conformasse em ficar fazendo fofoca e bordados enquanto o destino do País estava sendo decidido. Dilma também teve que assumir uma postura durante a ditadura militar, e o fez quando foi absolutamente necessário e isso é motivo de orgulho para todas nós. Era preciso, como agora, interferir, lutar e utilizar armas que colaborassem para o crescimento e a liberdade do Brasil, não para o seu retrocesso histórico. A minha única arma é a minha escrita e meu voto.
Um dos textos que circulam pela rede parece defender que a mulher deve ter um único marido, nunca se separar, nunca se aventurar em outros amores, nunca lutar por ideais políticos. E todo esse discurso, após tantos anos de conquistas, tantas lutas, tantas mulheres que morreram tentando provar o contrário?! Provar que somos capazes e que temos que quebrar as algemas sociais para sermos felizes, lutando pelos nossos ideais. Afinal, a felicidade não é uma receitinha pronta para simplesmente ser seguida, sem questionamento. A felicidade, às vezes, leitoras de Clarice Lispector, é Clandestina! A felicidade às vezes tem que ser guerrilheira, combativa, inusitada, variada, diversificada, inesperada, múltipla, herética e errática!
O texto, que me moveu a escrever, é muito antiquado e feito para destruir a imagem da candidata Dilma. Entretanto, o que ele destrói é a imagem de Serra e dos seus comparsas que reproduzem o pensamento de que cabe à mulher um papel silencioso e submisso diante da história do País e da sua própria história. O período de ditadura, que vivemos no passado, não foi fácil e muitos ficaram aqui para lutar contra a opressão, de forma armada sim, porque era a única forma de combater aquele regime, ele sim, assassino. Corpos de guerrilheiros, artistas, jovens, escritores, pais e mães de família, militantes, ainda hoje são procurados por seus familiares. Viúvas ainda sonham em enterrar os seus mortos.
Mulheres como Luíza Mahim, que participou da revolta dos Malês, aqui na Bahia, cujo filho Luís Gama, abolicionista, foi vendido ainda pequeno como escravo pelo próprio pai, certamente não são o tipo de mulher que a sociedade e algumas mulheres aceitem facilmente. Mas foram elas que fizeram a história. Foram mulheres que enfrentaram os olhares de repúdio e desprezo, os ataques e as calúnias, que construíram o País. Maria Filipa, negra, na ilha de Itaparica lutando capoeira e pensando de forma estratégica, conseguiu incendiar embarcações portuguesas e, assim, ajudar na nossa libertação. Mulheres assim são insubordinadas, não se acomodam com a classe ou a casa confortável dos seus pais ou maridos, ignorando o resto da população miserável e oprimida. Mulheres assim participam de movimentos sociais, lutam, amam, separam, brigam, estudam, divorciam, amancebam, assumem postos de poder, escrevem, e atuam para a transformação social. Algumas delas assumem a Presidência da República e não podem ser jogadas na fogueira do preconceito por causa disso! Estão ateando fogo e jogando pedra em Dilma, cujo pecado é disputar a Presidência da República. A Inquisição já acabou! Quem são os inquisidores de hoje e que armas eles utilizam? A internet?
Se não fosse a ousadia de uma Chiquinha Gonzaga, mulata, bastarda, não teríamos a nossa primeira maestrina capaz de compor músicas tão lindas, afinal, a sociedade do século XIX não aceitava mulher tocando o piano (vejam como o piano é velho e simbólico dentro da educação de mulheres no País), senão, dentro de casa e para o seu marido e os seus convidados. Ou seja, o piano era restrito ao espaço privado. O piano de Chiquinha queria mais! O piano de Chiquinha gritava para sair de dentro de casa e tomar as ruas, os bares, os boêmios, os negros excluídos da época. Porque a música que a interessava estava entre eles, produzida por negros. Isso era inaceitável para aquela sociedade. Mas a música de Chiquinha exigia mais! E ela enfrentou e combateu a todos para seguir o seu talento, o seu desejo!
Dilma também não aceitou administrar, apenas, a economia doméstica, como tantas de nós fazemos, e somos, até, elogiadas pelos homens por isso. Dilma regeu a administração do País inteiro ao lado do Presidente Lula, que preteriu a muitos nomes tradicionais do Partido, contrariou a muitos, inclusive a mim, no princípio, ao eleger como sua candidata, a sua preferida, Dilma. Certamente não o fez pelos seus encantos pessoais, nem pela sua beleza. Foi a sua competência que desviou o Presidente dos nomes esperados e sinalizados pelo Partido. Não deve ter sido fácil fazer essa opção, mas ele o fez com coragem e enfrentamento.
Voltando a Chiquinha, era necessário ir pros botecos, tocar com os negros e abandonar os seus filhos, pois não poderia criá-los sem a estabilidade do lar e do marido, sem a aprovação social da época. Assim é Dilma! Ela não poderia ser tão competente, aos olhos do maior Presidente da história brasileira, o nosso cara, e limitar a sua atuação ao anonimato da burocracia do governo! Era pouco e o presidente Lula, nordestino, sensível, homem surpreendente e encantador, percebeu isso. Ela era digna e capaz de ocupar o posto mais alto do País, não pela sua beleza ou simpatia, mas pela sua capacidade de gerir, administrar áreas comumente ocupadas por homens. Ministra das Minas e Energias, liderando a Petrobrás, tomando conta da Casa Civil. Mas o povo e, particularmente, algumas mulheres queriam que ela fosse simpática, agradável, doce. Lembro que o nosso povo votou em Collor porque muitos (e muitas) o consideravam bonito!!! Lula teve que suar e o povo que sofrer muito até colocá-lo no poder, e ele iniciar uma revolução democrática no País. As elites, que são muitas, não se conformam porque a população pobre, negra está ocupando, também, espaços sempre destinados às classes sociais elevadas. O povo está nas Universidades.
Com esse tipo de e-mail, estamos colaborando para o preconceito contra a mulher, contra a liberdade, contra a inteligência como um atributo feminino. São mães que estão negando às suas filhas a possibilidade de termos uma mulher, indicada por Lula, para dar continuidade às transformações sociais que as atingem diretamente. Suas filhas também serão mais respeitadas a partir de agora. Nós mulheres seremos mais ouvidas a partir de agora. Nossos discursos serão menos desprezados. Somos responsáveis pelos e-mails que enviamos e as ideias que eles divulgam. Leio os textos e vejo um exercício de manipulação dos fatos; vejo o retorno de um tempo tão longínquo (hoje eu já tenho 41 anos), onde propalavam que os vermelhos comunistas comiam criancinhas. Agora dona Mônica Serra diz que Dilma é assassina de criancinhas. Parece que essa gente subestima a NOSSA inteligência, a nossa capacidade de discernimento, a nossa capacidade crítica.
Sobre o aborto! Dilma hoje já prometeu não enviar leis para serem aprovadas nesse sentido. O que é perfeitamente compreensível nesse País tão cheio de pudores religiosos, onde os evangélicos ocupam de forma acintosa tantos canais de televisão, fazendo uma campanha acirrada contra a nossa candidata, que parece encarnar para os fanáticos a própria Eva ou Lilith. Quantas mulheres conhecemos que praticaram uma vez na vida algum aborto? Conhecem alguma mulher pobre que morreu em mãos de açougueiros ou tomando remédios por conta própria? Eu conheço! E sei que ela não teria morrido se o meu País não fosse tão hipócrita e ela pudesse ter sido atendida por um médico de verdade, com assistência legal. Afinal, a sua “escolha” de não ser mãe, naquele momento, já era tão difícil, tão dolorosa e triste, pessoal e intransferível. A sua morte abalou a todos daquela comunidade. Um abalo silencioso e proibido. Que ela tivesse, pelo menos, assistência médica; que não fosse tratada como bandida, que não morresse. São mulheres cidadãs e trabalhadoras que muitas vezes recorrem a essa – única – saída. Quantas casadas, decentes, honradas, amadas, vocês conhecem que também já o fizeram correndo risco de morte? O risco deve continuar? Até quando? Em nome de quê? O aborto legalizado ainda é um tabu nesse País de mulheres tão santas, católicas e evangélicas. País de não pecadoras! É hipocrisia considerar que não é preciso discutir a necessidade de adotarmos medidas de saúde pública para conter o número imenso de mulheres pobres, negras e brancas, mortas por praticarem aborto, pois as ricas têm assistência médica. É simples!
Essa certamente não é a plataforma de governo de Dilma! Os seus planos para o País são estruturais e ideológicos e vão além. Mas o aborto é o alvo principal dos seus inimigos. Dilma não legalizará o aborto, fiquem tranquilos! Ela já o prometeu! Está prometido aos evangélicos! Aqui ninguém o pratica e ninguém morre assim, certamente os números alarmantes apontados pelas pesquisas são uma ilusão, um engano. Além do mais, somos muito católicos e evangélicos para pensarmos nessa possibilidade. Vejam que as pedras do velho testamento continuam sendo atiradas contra a Mulher. Jesus veio e enfrentou o apedrejamento, lembrem-se! A adúltera não foi morta, pois alguém tinha que atirar a primeira pedra. Alguém que nunca tivesse pecado! A mulher foi salva por Jesus Cristo, no entanto, o que é essa guerra conta Dilma senão um apedrejamento simbólico, tão selvagem contra o bíblico?! A sede da nossa sociedade de punir a mulher que desobedece às leis sociais, que peca por contrariar o desejo masculino, por invadir um espaço social, público, destinado aos homens. Peca por disputar o poder com um homem que fala em nome da moral e dos bons costumes, com o visível propósito de atingir a candidata, como se ela e a sua biografia não fossem dignas. Serra com a sua moral falaciosa! Um homem agressivo, acintoso, que utiliza do cinismo o tempo inteiro para atrair aqueles que também se querem virtuosos e virtuosas. Hipócritas! Gente com a sanha do apedrejamento, que deve ser um desejo coletivo inconsciente capaz de mobilizar as massas para grandes espetáculos mórbidos, como acontecia durante a Inquisição. Vamos ver as bruxas morrerem na fogueira! E se possível vamos apedrejá-las também!
A mulher que sai da toca e afirma-se como um ser pensante e participativo, que pega em armas como Maria Quitéria, como Anita Garibaldi, como Olga Benario. Elas são mulheres muito próximas de Dilma, parceiras, companheiras (aquelas que dividem o pão) e certamente jamais teriam como amante, marido, namorado, companheiro um tipo como José Serra. Certamente – e aqui vai o meu delírio utópico/poético – essas mulheres amavam homens intensos e verdadeiros, atraentes, sedutores e, principalmente, sonhadores. Homens que respeitavam seus discursos e acreditavam no direito da mulher de ser Grande. Certamente seriam homens que se orgulham do poder feminino e da sua capacidade de gerir empresas, como Dilma, e de gerar filhos, também como Dilma! Jamais um forjado Zé Serra capaz de divulgar esse tipo de pensamento sobre sua adversária política e de tratá-la de forma tão grosseira e deselegante. Um casca grossa!
Parece que a sociedade acredita na mulher apenas administrando a sua cozinha. Mas Dilma, Chiquinha, Luíza, Anita, Olga, Filipa, Quitéria, Joana Angélica, quiseram bem mais. O texto que me moveu faz alusão ao piano que Dilma tinha na casa dos pais. Moça de família! O piano foi a arma de Chiquinha Gonzaga, mas o piano de Dilma não respondia às necessidades de transformação social que ela aspirava. Por isso, certamente, Dilma, foi fazer política e suas armas foram e são outras. O falo da fala, como diria Maria Rita Kell.
Um beijo, companheiras históricas de tantas batalhas que ainda temos que enfrentar! E que a fama de que nós, mulheres, não somos solidárias umas com as outras não seja consolidada nesse momento histórico do País. Sejamos solidárias com a competência de Dilma e com a sua qualificação para dirigir o nosso País. Em anexo, uma música de Chiquinha Gonzaga para abrandar e encantar nossas almas. Lua Branca é a música.
Rita Santana é baiana. Atriz, escritora, professora licenciada em Letras. GAnhou o Braskem de Literatura para autores inéditos em 2004, com o livro de contos Tramela.

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A mulher mais podedoras do mundo

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.
Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.
Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.
A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.
Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.
Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.
Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.
Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.
A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.
Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.
Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.
Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.
Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.
A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.
Tradução: Katarina Peixoto

Blog do Rodrigo vianna/ESCREVINHADOR

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